"O Vinho" De PABLO NERUDA (1904-1973)

Move a Primavera
cresce como uma planta de AlegriaVinho
caem muros,
penhascos,
se fecham os abismos,
nasce o Canto.
Oh Tu, jarra de Vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o Velho Poeta.
Que o cântaro do Vinho
ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente Vinho.
Que O bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no Outono
até encher de Vinho as vasilhas
e aprenda o Homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar à Terra e seus deveres,
a propagar o Cântico do fruto...

De PABLO NERUDA (1904-1973),
(Revolucionário Chileno,
Poeta, Escritor,
e bom bebedor).